Forame Oval - Comunicação Interatrial

Cardiovascular
Procedimento: Forame Oval - Comunicação Interatrial

Forame Oval - Comunicação Interatrial

O CIA (Comunicação Interatrial ou Defeito do Septo Interatrial) é um defeito congênito do coração pela não coartação de membranas do septo interatrial, divisória do coração ao nível dos átrios. É um dos “sopros cardíacos” mais comuns na infância, muito bem tolerado clinicamente, tendo em vista que são câmaras cardíacas que trabalham com baixa pressão.

 

 

A). Sintomas:

 

Muitas crianças apresentam cansaço, taquicardias, batedeiras no peito, tontura. Porém, outras crianças que também possuem Defeito do Septo Interatrial não sentem nada, e brincam ativamente, mas o Ecocardiograma mostra dilatação (ou sobrecarga) de átrio direito e de ventrículo direito, ou hipertensão pulmonar.

 

Muitas vezes, por serem pequenos, os CIAs em crianças são assintomáticos e só se manifestam na idade adulta com os seguintes sintomas neurológicos: enxaquecas com aura e isquemias cerebrais cardio-embólicas (acidentes vasculares cerebrais isquêmicos criptogênicos). Às vezes, pequenos defeitos (classificados como Forame Oval Patente, pelo tamanho pequeno) podem causar muitos sintomas e isquemias cerebrais recorrentes ou graves. O Doppler transcraniano com teste de microbolhas pode definir que o CIA ou Forame Oval são de risco para o paciente se não ocluídos.

 

 

B). Diagnóstico:

 

O Ecocardiograma transesofágico (ETE) pode ser decisivo em localizar o defeito em adultos ou adolescentes. Em crianças, a realização de um Ecocardiograma transtorácico (ECO-TT) pela parede torácica mais estreita, pode ser suficiente.

 

As comunicações interatriais têm anatomias variadas, elas podem ser:

• Simples;

• Múltiplas;

• Multiperfuradas;

• Pequenas (forame oval de poucos milímetros);

• Grandes (maiores que 1cm).

 

Elas também podem aparecer em exames de ressonância cardíaca ou em angiotiomografia de coronárias.

 

 

C). Tratamento:

 

Hoje em dia, entende-se que mesmo os defeitos pequenos devem ser ocluídos. Caso sejam comprovados shunt (passagem) do átrio direito para o esquerdo, quando provocado valsava (esforço abdominal ou compressão do fígado) durante teste de microbolhas no doppler transcraniano ou no Ecocardiograma transesofágico (ETE), eles devem ser fechados em qualquer época da vida, mesmo em pacientes idosos.

 

No passado era sugerida a antiagregação plaquetária (AAS, aspirina), quando eram encontrados orifícios pequenos e anticoagulação, quando esses orifícios pequenos causassem AVCs. Hoje sabemos que a proteção destas medicações não é total, e o fechamento dos defeitos é a forma mais segura de prevenir AVCs.

O fechamento cirúrgico é tão bom quanto o fechamento percutâneo por cateter no que se refere à interrupção da comunicação sanguínea entre os átrios.

 

Obviamente bons cirurgiões têm melhores resultados. Este é considerado um procedimento simples, e após a cirurgia o paciente já estará livre de riscos de AVCs. Em defeitos menores que 1 cm pode ser feita sutura direita, em defeitos maiores geralmente é utilizado o patch de pericárdio bovino (falhas da cirurgia podem estar associadas ao uso de pericárdio autólogo não tratado, ou seja, do próprio paciente).

 

 

D). Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva:

 

Até poucos anos atrás, o tratamento percutâneo era mais atrativo devido a curta internação, pouca invariabilidade e rápido retorno às atividades. Hoje em dia, equipes atualizadas operam por técnica de cirurgia minimamente invasiva, através de vídeo cirurgia, obtendo resultados estéticos muito bons. As internações duram de dois a três dias e em sete dias o paciente já está liberado para dirigir automóveis.

 

Quando o fechamento é percutâneo com próteses, o risco de AVC ainda existe por alguns meses. Nesse caso, recomenda-se o uso de aspirina (AAS) por seis meses até endotelização da prótese. Até lá existe a possibilidade de ocorrer a formação de fibrina sobre a prótese e embolização cerebral, mesmo com o defeito fechado.

 

A prótese intracardíaca, assim como outras próteses (válvulas e marca-passos), pode ser núcleo, a médio e longo prazo, de endocardites, infecções cardíacas graves e fatais. Isso não ocorre na cirurgia porque esta deixa apenas uma linha de sutura no coração. As diferenças de aspectos da cirurgia e das próteses percutâneas são marcantes visualmente e no ECO.

 

Temos sempre recomendado o fechamento para defeitos grandes e sempre que comprovado risco de AVC (teste de microbolhas positivo ao ECO esofágico ou Doppler transcraniano). Recomendamos fechamento cirúrgico para pacientes sem contraindicações à anestesia geral, e percutâneo em idosos com mais de 75 anos.

 

No caso de cirurgia cardíaca por outro motivo (coronária, válvulas), deve ser fechado no mesmo ato cirúrgico. Quando for coronária, deverá ser feito a moda antiga, por esternotomia. Quaisquer que forem as válvulas envolvidas podem ser feitas de forma moderna, minimamente invasiva, por vídeo cirurgia.

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