Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular

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Você sabe a diferença entre medicamentos e remédios?

Você sabe a diferença entre medicamentos e remédios?

Frequentemente os dois termos são considerados equivalentes, porém, têm definidos e aplicações diferentes.

Qual é a diferença entre medicamentos e remédios?

 

Muito frequentemente os dois termos costumam ser tidos como equivalentes e serem usados indiscriminadamente como sinônimos. No entanto, são coisas diferentes.

 

Medicamentos são substâncias ou preparações elaboradas em farmácias ou indústrias farmacêuticas atendendo a especificações técnicas e legais e que são utilizados com a finalidade de diagnosticar, prevenir ou curar as doenças e aliviar sintomas. Ao utilizá-los pode-se ter clara a ação que se espera deles. O termo medicamentum resulta da fusão da raiz latina extraída de médico, medicina, medicar, etc., com o verbo medeor, que significa cuidar, proteger, tratar.

 

Remédio (latim: remedium = aquilo que cura) é um termo mais amplo que medicamento e, na verdade, engloba esse último. Todo medicamento é um remédio, mas nem todo remédio é um medicamento. Todos os recursos utilizados para curar ou aliviar uma enfermidade são remédios, como, por exemplo, um preparado caseiro com plantas medicinais, repouso, psicoterapia, fisioterapia, acupuntura, cirurgia, etc. Muitas vezes, não haverá necessidade de utilizar medicamentos para resolver problemas de saúde, um remédio não medicamentoso pode fazer o efeito desejado.

 

Qual é o tipo de ação dos medicamentos?

 

A maior parte dos medicamentos é usada para o alívio de sintomas, como dor, febre, inflamação, tosse, coriza, vômito, náuseas, ansiedade, insônia, etc., e não age na causa das doenças. Por isso, são chamados de medicamentos sintomáticos.

 

Há também os medicamentos que podem curar doenças, eliminando sua causa ou corrigindo uma função corporal deficiente, como os medicamentos contra infecções e infestações (antibióticos, anti-helmínticos, antiprotozoários, etc.).

 

Outros medicamentos, ainda, são utilizados para prevenir doenças, como os soros, vacinas, antissépticos, complementos vitamínicos e minerais, profiláticos da cárie, etc.

 

Existem também os medicamentos que auxiliam em diagnósticos, como contrastes radiológicos, colírios utilizados para facilitar o diagnóstico oftalmológico, substâncias radioativas usadas com traçadores, etc.

 

O que é farmacocinética e farmacodinâmica dos medicamentos?

 

A farmacocinética dos medicamentos descreve como eles são absorvidos, distribuídos, metabolizados e eliminados. O efeito de qualquer medicamento requer que ele alcance a região-alvo específica nos tecidos em que exercerá sua ação. As medicações tópicas agem no próprio local em que são aplicadas. Por exemplo, pomadas aplicadas sobre a pele, substâncias inaláveis que devem agir sobre os pulmões, enemas, colírios, gotas otológicas, sprays intranasais.

 

Os demais medicamentos, tomados por via enteral ou parenteral, devem ser absorvidos e cair na corrente sanguínea, tendo, pois, um efeito sistêmico. Para fazerem um efeito benéfico, os medicamentos devem atingir uma concentração necessária no local alvo, mas como seus efeitos são sistêmicos, eles atingem também essa concentração em outros órgãos, e isso motiva alguns de seus efeitos colaterais.

 

A farmacodinâmica dos medicamentos envolve a ação deles no organismo humano (efeitos terapêuticos e efeitos colaterais), bem como o local onde o medicamento age no organismo e o seu mecanismo de ação. A atuação de um medicamento em cada indivíduo dependerá da sua genética, da sua idade e da presença eventual de outros quadros clínicos além daquele que está sendo tratado. Por isso, apesar de uma certa regularidade de ação, há uma margem de imprevisibilidade no uso de quaisquer medicações.

 

Quais são os efeitos das interações medicamentosas?

 

As interações medicamentosas de um determinado medicamento com outras substâncias, medicamentos ou não, inclusive com alimentos, envolvem combinações que alteram o efeito do medicamento no corpo. Isso pode fazer com que o medicamento seja menos ou mais potente do que o pretendido ou resultar em efeitos colaterais inesperados e às vezes perigosos.

 

Se o paciente tiver de usar dois ou mais medicamentos, deve consultar o médico sobre a compatibilidade entre eles e incluir nisso as ervas, suplementos, certos alimentos especiais, vitaminas, drogas, álcool e fumo. É importante também informar ao médico sobre a predisposição que tenha para reações alérgicas ou outras condições de saúde.

 

Outras interações aparentemente simples, mas com importância terapêutica, dizem respeito à associação dos remédios com os alimentos e a água. Devem ser tomados às refeições ou longe delas? Em jejum? Exigem alguma dieta especial?

 

O que é “meia-vida” de um medicamento?

 

A meia-vida de um medicamento é o tempo que leva para a quantidade da substância ativa dele no organismo ser reduzida à metade. Isso depende de como o corpo processa e elimina a droga, mas serve também para determinar o espaçamento com que a medicação deve ser tomada, que pode variar de algumas horas a alguns dias ou, às vezes, semanas. Por exemplo, se a meia-vida de um medicamento for de 6 horas, uma dose dele deve ser tomada de 6 em 6 horas; se for de 12 horas, ele deve ser tomado duas vezes ao dia, e assim por diante.

 

Desse fato, retira-se também a importância de observar a regularidade das tomadas, para que os níveis sanguíneos do medicamento se mantenham estáveis pelo tempo necessário. Uma droga de meia-vida curta geralmente significa maiores problemas de abstinência ao ser retirada, e outra de meia-vida longa geralmente significa menos problemas. Isso assume particular importância com os medicamentos capazes de gerar dependência.

 

A meia-vida também ajuda a calcular quanto tempo o medicamento levará para atingir um nível estável no corpo. De modo geral, leva cerca de cinco vezes o valor da meia-vida da droga para construir um nível estável no organismo.

 

 

Fonte: AbcMed. "Algumas informações importantes sobre medicamentos". Autorizado sob licença CC BY-ND 3.0 BR.

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Rodrigo Paez

Rodrigo Paez

Formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - Escola Paulista de Medicina e especialista em Cirurgia Cardíaca, Cardiovascular, Endovascular e Marcapassos. Adepto da cirurgia cardíaca minimamente invasiva é pesquisador do estudo multicêntrico Bypass, que reune os melhores centros de cirurgia cardíaca do Brasil.

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