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Por que durante a pandemia de coronavírus, o risco é maior em hipertensos?

Por que durante a pandemia de coronavírus, o risco é maior em hipertensos?

É importante que as pessoas hipertensas reforcem os cuidados durante a pandemia.

Quando o vírus Sars-coV-2 (o coronavírus) se espalhou pelo mundo, gerando a atual pandemia, muitas dúvidas e questões foram se formando. Em meio a tudo isso, foi observado que, em alguns grupos de pessoas, a doença podia se manifestar de maneira mais grave.

 

Entre idosos, diabéticos e asmáticos, notou-se que os hipertensos estavam também no grupo de risco do coronavírus. Mas por quê? Afinal, o que há nos hipertensos que faz com que sejam considerados grupo de risco? E o que é um grupo de risco? Como agir nesses casos?

 

Você sabe o que é um grupo de risco?

 

Grupo de risco é uma palavra que assusta, pois indica uma vulnerabilidade. O que precisamos entender é que não necessariamente as pessoas que fazem parte de um grupo de risco para determinada doença enfrentarão essa enfermidade ou sofrerão em demasia por ela, mas é preciso cuidados especiais nesses casos.

 

Podemos designar pessoas como grupo de risco devido a determinadas características, comportamentos ou profissões. Essas pessoas estariam mais sujeitas a adquirirem uma doença ou a desenvolverem numa forma mais grave.

 

Pacientes que têm doenças crônicas são considerados do grupo de risco para várias patologias por diversos fatores. Isso inclui uma provável descompensação da doença de base em situação de infecção/inflamação e outras questões. Vamos, a seguir, entender melhor por que se fala que os hipertensos estariam correndo maior risco diante do coronavírus.

 

O que é a hipertensão?

 

O hipertenso apresenta uma condição em que a força de seu sangue contra a parede das artérias passa a ser muito grande. A pressão arterial é considerada normal quando chega até a marca de 14/9 (ou 140/90 mmHg). Acima disso, a pessoa pode apresentar um quadro de hipertensão, uma vez que o seu coração exerce um esforço maior para levar sangue para todo o corpo. Se a pressão sanguínea ultrapassar a taxa de 18/12, é sinal que a pessoa está com hipertensão grave.

 

Por incrível que pareça, ainda no caso da hipertensão grave, a doença é quase assintomática. Por isso, se não for diagnosticada e tratada, a condição pode causar diversos problemas de saúde, como doenças cardíacas e AVC (acidente vascular cerebral).

 

Coronavírus e hipertensão

 

Para o médico infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Roberto Muniz Júnior, a definição de hipertensos como grupo de risco foi estabelecida quando evidenciado em estudos que, entre as pessoas que adoeceram pela Covid-19 e buscavam atendimento, muitas delas tinham essa comorbidade (a hipertensão). “Além disso, pessoas hipertensas evoluíram de forma pior com o coronavírus”, acrescenta o médico.

 

No entanto, ainda não se sabe exatamente por que a hipertensão piora o quadro dos pacientes infectados pelo coronavírus.“É uma doença que já potencialmente modifica nossas respostas metabólicas e inflamatórias, além de comprometer órgãos importantes como o coração”, explica Muniz.

 

Tem sido observado que o coronavírus, ao entrar em contato com o corpo humano, pode afetar o músculo cardíaco. Num coração sobrecarregado, como no caso do paciente com hipertensão, a consequência disso poderia ser uma inflamação do miocárdio (miocardite).

 

Além disso, também se verificou que o vírus pode levar a uma certa anulação da ação dos medicamentos para controle arterial. Dessa forma, em alguns casos levaria um descontrole da hipertensão em estado mais grave. Por isso, preste atenção: sintomas como fraqueza e febre podem ser ainda mais intensos em pacientes hipertensos com coronavírus, e é preciso todo cuidado.

 

Em 2017, o Brasil registrou que sua população apresentava uma taxa de 60,9% de hipertensos. Nessa esfera, os idosos, acima de 65 anos, estariam especialmente mais afetados. Diante de um cenário como esse, toda atenção é válida. Por isso, explicaremos a importância de continuar o tratamento se você tiver hipertensão ou para alguém de sua convivência que esteja nessa condição.

 

Qual é a importância de continuar o tratamento?

 

Ainda não existem tratamentos específicos para o coronavírus que tenham sido aprovados. “Todos os possíveis tratamentos estão em fase de estudo e não há nenhum específico para esse grupo”, complementa Dr. Muniz sobre a possibilidade de haver um tratamento específico para o paciente hipertenso.

 

Por isso, é importante que os pacientes hipertensos continuem cuidando de sua condição, mantendo as medicações sintomáticas (quando indicadas), e suporte clínico a depender das necessidades (como oxigênio, fisioterapia etc).

 

Fumantes e diabéticos devem manter um controle especial. O cigarro é fortemente desaconselhado para os hipertensos, pois seria um segundo fator de sobrecarga para a circulação sanguínea. O controle da diabetes também deve ser regular, com a dieta adequada e exercícios físicos indicados.

 

Quais devem ser os cuidados?

 

A ideia de adotar uma dieta saudável é válida para todas as pessoas, independentemente de apresentarem uma patologia ou não. Porém, para os hipertensos, é importante notar que a dieta, além de ser saudável, deve conter menos sal, pois ele aumenta a pressão arterial.

 

A prática de exercícios físicos regulares também ajuda a manter a pressão das artérias em bons níveis. Por isso, além de ter a indicação de profissional habilitado para qual atividade deve ser feita, recomenda-se buscar os exercícios que proporcionem prazer, para que sua prática não seja vista com pesar.

 

Em tempos de isolamento doméstico, muitos exercícios com cadeiras, cordas e até pano de chão têm sido ensinados por especialistas nas redes sociais. Se houver aval do profissional responsável, pode ser uma boa opção.

 

Por fim, falemos dos medicamentos! Quando prescritos por um médico, cabe adotar alguns medicamentos que ajudam a baixar a pressão arterial. Tal atitude não exclui as outras. Essa ação pode ser conciliada com a dieta saudável e a prática de exercícios.

 

Como se manter saudável em casa?

 

Manter-se saudável em casa em tempos de afastamento social é um favor que se faz para si mesmo e para a sociedade ao mesmo tempo. O hipertenso pode contribuir muito quando evita o contágio.

 

Para isso, ficar em casa, quando possível, tem sido a melhor alternativa. E, estando em casa, busque alimentos saudáveis, frescos, com boa proporção de nutrientes e, claro, sempre uma dose equilibrada de sal. Sem exageros!

 

Alguns temperos podem ajudar a substituir o prazer oferecido pelo sal. A azeitona, por exemplo, quando moída, dá amplidão ao sabor dos alimentos (característica buscada pelo sal), assim como o alho, a cebola, o manjericão e a páprica podem dar gosto para o paladar de quem está em dieta restritiva de sódio.

 

Dr. Muniz também alerta para a regularidade do acompanhamento médico, se o hipertenso fizer algum tratamento nesse sentido. Não esquecer os remédios e seus horários é também uma forma de ajudar sua própria saúde e evitar a necessidade de intervenção. Para isso, abuse de aplicativos e alarmes que ajudam nesse lembrete!

 

O infectologista ainda chama a atenção para os cuidados com a higiene, principalmente em contato com outras pessoas na casa. “Os familiares devem apoiar o paciente a ficar em casa e evitar visitá-los, principalmente se apresentarem algum sintoma gripal”. Caso a visita seja necessária, ele recomenda todos os cuidados de distanciamento, deixar os sapatos na porta e o uso de máscaras.

 

Com tais cuidados, o hipertenso pode passar pela pandemia de uma forma mais tranquila, com menores riscos de contrair o coronavírus e mantendo a saúde em dia. Por isso, aproveite para compartilhar este texto entre amigos e pessoas que possam se interessar pelo conteúdo e pelas atenções necessárias.

 

 

Fonte: Hospital Israelita Albert Einstein - Vida Saudável. "Coronavírus e hipertensão: por que o risco é maior? Veja os cuidados!". Conteúdo Editado. Autorizado sob licença CC BY-ND 3.0 BR.

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Rodrigo Paez
Rodrigo Paez

Formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - Escola Paulista de Medicina e especialista em Cirurgia Cardíaca, Cardiovascular, Endovascular e Marcapassos. Adepto da cirurgia cardíaca minimamente invasiva é pesquisador do estudo multicêntrico Bypass, que reune os melhores centros de cirurgia cardíaca do Brasil.

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