Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular

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Níveis elevados de marcador sanguíneo (ACR) indicam riscos de doenças cardiovasculares.

Níveis elevados de marcador sanguíneo (ACR) indicam riscos de doenças cardiovasculares.

Marcador (ACR) elevado está associado ao desenvolvimento de problemas como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Os níveis de aminoácidos de cadeia ramificada (ACR) no sangue indicam maior risco de doenças cardiovasculares, aponta pesquisa realizada em um grupo de 27 mil mulheres, acompanhadas por 18 anos. Níveis elevados de ACR estiveram associados ao desenvolvimento de problemas como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O estudo também indica que os aminoácidos apontam risco cardiovascular ainda maior naquelas mulheres que desenvolveram Diabetes tipo 2. Os resultados mostram um elo em comum no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e do Diabetes tipo 2, que podem ser detectados precocemente por meio do uso dos ACR como marcadores.

 

A pesquisa teve como base o acompanhamento de 27 mil mulheres pelo Women’s Health Study, realizado pelo Brigham and Women’s Hospital, vinculado à Harvard Medical School (Estados Unidos). Todas as mulheres que participaram do estudo são profissionais da saúde e não apresentavam doenças no início do seguimento. Anualmente elas responderam a um questionário sobre evolução de saúde. Em média, foram acompanhadas durante 18 anos.

 

No começo do seguimento, amostras de sangue das participantes foram congeladas e armazenadas. O sangue foi utilizado como uma fotografia daquele momento da pessoa. A amostra pode ser descongelada muitos anos depois para avaliar componentes do sangue que inicialmente não se julgavam importantes ou tornaram-se mensuráveis com novas técnicas. Portanto, pode-se analisar retrospectivamente a relação de marcadores no sangue daquele momento com a evolução da saúde dessas pessoas.

 

A evolução tecnológica tem permitido a análise de quantidade cada vez maior de marcadores no sangue. No entanto, grandes volumes de informação demandam análise estatística mais avançada para identificar o que é relevante, como a mineração de dados (data mining). Por meio destes métodos, descobriu-se a importância dos ACR como marcadores de risco de Diabete tipo 2. Esses aminoácidos estão relacionados à resistência insulínica, mecanismo por trás do aumento do nível de açúcar no sangue e o diabetes. No entanto, faltavam dados mais robustos sobre a associação entre ACR, o risco cardiovascular e a influência do diabetes nesse processo.

 

Riscos:

 

Ao longo dos 18 anos de seguimento, 2.207 mulheres apresentaram problemas cardiovasculares. O objetivo era identificar uma trajetória em comum entre as doenças cardiovasculares e Diabetes tipo 2. Os problemas cardíacos são a principal causa de morte entre diabéticos. Em países de renda baixa e média, como o Brasil, a urbanização caótica fomenta mudanças de hábitos alimentares e na atividade física, associados a uma epidemia de obesidade, doenças cardiovasculares e Diabetes tipo 2. Neste contexto, portanto, os achados da pesquisa são muito relevantes.

 

A pesquisa demonstrou que mulheres com níveis mais elevados de ACR tinham um risco 30% maior de desenvolverem infarto e AVC, e de fazerem a colocação de stents coronários (angioplastia coronária) e ponte de safena e mamária (revascularização cirúrgica). Também foram analisadas aquelas que desenvolveram ou não Diabetes tipo 2 ao longo do seguimento. A associação dos ACR com risco cardiovascular foi mais forte naquelas que também desenvolveram Diabetes tipo 2. Ou seja, os ACR indicam um elo em comum entre as duas doenças.

 

O marcador poderá informar e conscientizar as pessoas sobre riscos futuros de ambas as doenças. Será um incentivo a mais para prevenção por meio de mudança de estilo de vida, podendo eventualmente até auxiliar na prescrição de medicações para aqueles que apresentem maior risco.

 

Cabe a ressalva de que há vários fatores determinantes dos níveis de ACR no sangue além de seu consumo na dieta ou em suplementos. Este estudo não permite qualquer avaliação sobre ingestão de ACR e riscos de doenças cardiovasculares ou diabetes. A pesquisa é descrita no artigo Circulating Branched-Chain Amino Acids and Incident Cardiovascular Disease in a Prospective Cohort of US Women, publicado na revista científica Circulation: Genomic and Precision Medicine, em 17 de abril. O texto é de autoria de Deirdre Tobias, Patrick Lawler, Paulo Harada, Olga Demler, Paul Ridker, Jo Ann Manson, Susan Cheng e Samia Mora.

 


Fonte: LabNetwork© (www.labnetwork.com.br). "Marcador no sangue indica risco de doenças cardiovasculares". https://bit.ly/2IbahEr

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Rodrigo Paez
Rodrigo Paez

Formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - Escola Paulista de Medicina e especialista em Cirurgia Cardíaca, Cardiovascular, Endovascular e Marcapassos. Adepto da cirurgia cardíaca minimamente invasiva é pesquisador do estudo multicêntrico Bypass, que reune os melhores centros de cirurgia cardíaca do Brasil.

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