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O que são Coagulopatias?
O que são Coagulopatias?

Ocorrem devido a transtornos ou carências de fatores plasmáticos que intervêm na coagulação.

As coagulopatias ou distúrbios hemorrágicos são condições que afetam a forma como os coágulos sanguíneos se formam, gerando sangramentos mais fáceis e abundantes que o normal ou ante condições que normalmente não os produzem.

 

Quais são as causas das coagulopatias?

 

As coagulopatias podem ser herdadas ou adquiridas. Exemplos de distúrbios hemorrágicos hereditários incluem hemofilia A e B e doença de von Willebrand.

 

As adquiridas podem ser devidas a deficiências e defeitos nas plaquetas sanguíneas e/ou nos fatores de coagulação ou ao uso de medicações antiplaquetárias e anticoagulantes que são tomadas para a profilaxia e tratamento de condições médicas potencialmente produtoras de trombos, como fibrilação atrial, trombose venosa profunda, acidente vascular cerebral, embolia pulmonar e infarto do miocárdio.

 

As coagulopatias também podem ocorrer devido a condições como anemia, deficiência de vitamina K, leucemia, cirrose hepática e HIV.

 

Qual é o mecanismo fisiológico das coagulopatias?

 

Normalmente, o corpo produz 13 fatores de coagulação que atuam em cascata, juntamente com as plaquetas sanguíneas, para deter as hemorragias. A coagulação do sangue é afetada se algum desses fatores estiver deficiente ou defeituoso. Distúrbios genéticos, como hemofilia e doença de Von Willebrand, podem causar uma redução nos fatores de coagulação. Os anticoagulantes também impedem a formação adequada de coágulos. A coagulopatia também pode ocorrer como resultado de disfunção ou níveis reduzidos das plaquetas.

 

Quais são as principais características clínicas das coagulopatias?

 

As coagulopatias são caracterizadas por sangramentos prolongados e excessivos após lesões acidentais ou procedimentos médicos e odontológicos. Em alguns casos, podem ocorrer sangramentos espontâneos no interior das articulações, músculos ou outras partes do corpo, os quais podem causar dores, inchaço e rigidez.

 

Outros sinais e sintomas dos distúrbios hemorrágicos incluem manchas roxas como consequência de contusões simples, púrpura, sangramentos nasais, sangramento nas gengivas, menorragia e sangue na urina ou fezes.

 

Em casos de trombocitopenia (baixo número de plaquetas) ocorrem petéquias (sangramento superficial na pele que aparece como pequenas manchas vermelhas), fadiga, icterícia e aumento do baço.

 

Como o médico diagnostica as causas das coagulopatias?

 

Os exames de rotina incluem uma contagem completa de células do sangue e contagem de plaquetas. A avaliação de uma amostra de sangue periférico é feita para o tempo de protrombina (mede quanto tempo leva para formar um coágulo sanguíneo), tempo de tromboplastina parcial ativada, tempo de tromboplastina parcial e teste de agregação plaquetária.

 

O tempo de protrombina ou o tempo de tromboplastina parcial ativada é um exame médico que caracteriza a coagulação sanguínea. Os testes de tempo de tromboplastina parcial e o tempo de protrombina também são usados para monitorar a terapia anticoagulante oral. O tempo de tromboplastina parcial é usado em conjunto com outro teste que mede a rapidez com que ocorre a coagulação do sangue, chamado tempo de protrombina. O tempo de protrombina mede a velocidade de coagulação por meio da via extrínseca, também conhecida como via do fator tecidual.

 

A hemofilia é diagnosticada medindo-se o nível de atividade do fator em uma amostra de sangue: a hemofilia A é diagnosticada testando o nível de atividade do fator VIII e a hemofilia B é diagnosticada medindo-se o nível de atividade do fator IX. A doença de von Willebrand envolve medir o nível e a atividade do fator von Willebrand e de outra proteína de coagulação sanguínea, o fator VIII.

 

Como o médico trata as coagulopatias?

 

Na maioria das vezes, o médico ajudará com medicamentos ou terapêutica de substituição. Os fatores de coagulação que estejam reduzidos ou ausentes devem ser substituídos por proteínas retiradas do sangue humano ou criadas em laboratório. Esta terapia pode ser administrada tanto para tratar um sangramento já iniciado como para evitar que ocorra novos sangramentos.

 

Para pessoas que estejam necessitando de rápida reversão dos efeitos de um anticoagulante, em casos de sangramentos graves ou cirurgia de emergência, deve ser usada a vitamina K, concentrado de complexo de protrombina ou plasma fresco congelado.

 

O tratamento para a hemofilia exige que o fator de coagulação ausente seja administrado na corrente sanguínea. Pessoas com hemofilia A leve podem, às vezes, usar desmopressina (um hormônio sintético que estimula a liberação do fator VIII) para tratar sangramentos menores. A doença de von Willebrand pode ser tratada com desmopressina ou com um concentrado de fator de coagulação específico.

 

Pessoas com sangramento grave e urgente devem receber transfusão de uma combinação de glóbulos vermelhos com plasma sanguíneo, concentrado do complexo de protrombina, fator XIII e fibrinogênio com ácido tranexâmico.

 

Como evoluem em geral as coagulopatias?

 

O sangramento descontrolado pode causar danos aos órgãos internos, articulações e músculos e, eventualmente, pode ser fatal.

 

Quais são as complicações possíveis das coagulopatias?

 

Existem vários riscos possíveis no tratamento de coagulopatias, como lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão, síndrome do desconforto respiratório agudo, síndrome de disfunção de múltiplos órgãoshemorragia grave e tromboembolismo venoso.

 

 

Fonte: AbcMed. "Coagulopatias"

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Rodrigo Paez
Rodrigo Paez

Formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - Escola Paulista de Medicina e especialista em Cirurgia Cardíaca, Cardiovascular, Endovascular e Marcapassos. Adepto da cirurgia cardíaca minimamente invasiva é pesquisador do estudo multicêntrico Bypass, que reune os melhores centros de cirurgia cardíaca do Brasil.

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